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12 de novembro de 2025

  • Kasznar Leonardos

A responsabilidade das instituições educacionais na prevenção ao uso de software pirata por seus alunos

O ambiente acadêmico é um espaço essencial para a formação de profissionais e cidadãos conscientes, motivo pelo qual o respeito à legalidade e à propriedade intelectual deve fazer parte da rotina institucional. Um problema recorrente em cursos técnicos e superiores é o uso de softwares piratas por alunos durante atividades práticas. Embora, à primeira vista, essa conduta pareça ser de responsabilidade exclusiva do estudante, a verdade é que ela pode gerar reflexos jurídicos diretos para a própria instituição de ensino, especialmente quando ocorre em ambientes sob sua supervisão ou com sua anuência.

A responsabilização civil, nesses casos, pode ser analisada à luz do conceito de culpa in vigilando, ou seja, da falha no dever de vigilância de quem tem autoridade ou dever legal de supervisionar a conduta de terceiros. O artigo 932, inciso III, do Código Civil Brasileiro estabelece que os professores e os artesãos respondem pelos atos de seus discípulos, aprendizes e serviçais no exercício de suas atividades ou em razão delas. Embora o dispositivo não mencione expressamente as instituições de ensino, a doutrina e a jurisprudência brasileiras interpretam que tais entidades também estão sujeitas a esse dever de vigilância, sobretudo quando oferecem estrutura, equipamentos e orientação direta nas atividades em que o ilícito ocorre.

Essa interpretação foi adotada, por exemplo, no caso da Universidade Estácio de Sá, que foi condenada a indenizar a empresa Autodesk, titular dos direitos de software utilizado irregularmente por alunos em atividades acadêmicas. A Justiça Federal, ao julgar o processo de nº 2007.51.01.807988-6, concluiu que houve falha na fiscalização e omissão no dever de prevenção, configurando a responsabilidade da instituição por não evitar a violação de direitos autorais no âmbito de sua atuação.

A partir dessa realidade, é fundamental que as instituições adotem medidas preventivas para evitar o uso de softwares não licenciados em suas dependências ou atividades supervisionadas. Isso envolve a aquisição de licenças válidas, a criação de políticas internas de compliance digital, o treinamento de professores e alunos sobre o uso legal de tecnologias, além da implementação de rotinas de auditoria e controle. A celebração de parcerias com empresas desenvolvedoras de software, que frequentemente oferecem versões educacionais com descontos ou licenças gratuitas, também pode ser uma solução eficaz para garantir a legalidade no ambiente acadêmico.

Adotar essas medidas não é apenas uma forma de evitar sanções judiciais e prejuízos financeiros, mas também um compromisso institucional com a ética, a legalidade e o incentivo à inovação. O combate à pirataria deve ser compreendido como parte da missão educacional, contribuindo para a formação de profissionais mais responsáveis e para a construção de uma sociedade baseada no respeito aos direitos de propriedade intelectual.

 

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